Automóveis

“Amazonas”

A ideia de se construir uma motocicleta com motor VW, não foi exatamente iniciada com a Amazonas. No início dos anos 70, os mecânicos Luiz Antonio Gomi e José Carlos Biston, construiram uma máquina de 330 quilos com motor VW a ar de 1500 cc, cujo volante do motor fora aliviado, pois a moto, inicialmente, tinha a tendência de inclinar-se em demasia quando acelerada. O câmbio também era da marca alemã, tendo a marcha-a-ré em alavanca à parte, a fim de não confundí-la com as outras marchas, que eram acionadas pelo pé esquerdo, como em qualquer outra moto. A suspenção traseira tinha duas molas auxiliares, paralelas às originais e, na dianteira, contava com dois amortecedores de direção do fusca, que foram colocados lateralmente aos telescópicos dianteiros, enquanto o sistema de freios era composto por dois discos de Ford Corcel na frente e apenas um atrás, com pinças de VW Variant, sendo usado o cilindro mestre do Fusca. A estrutura foi feita com pedaços dos quadros de uma Harley e de uma Indian 1200 de 1950, enquanto a parte inferior foi construida artesanalmente e, incrível, foi aprovada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP. Posteriormente, para a fabricação do protótipo, que ostentava detalhes como o painel do Chrysler Esplanada e tanque em forma de caixão, os dois amigos instalaram uma oficina em São Paulo, na Av. Dr. Salomão Vasconcelos 668, e construiram mais três Motovolks, cujo paradeiro é, hoje, desconhecido.

Um grupo de São Paulo, a FERREIRA RODRIQUES, interessou-se pelo projeto dos mecanicos, então nasceu, em 1978, a lendária AMAZONAS, única moto com marcha-a-ré, que foi considerada na época, a maior motocicleta do mundo. Foi a maior febre em todo o Brasil, pois nesta época, não havia importacao de motos no Brasil, e tínhamos de conformar-nos com algumas motos nacionais de baixa cilindrada. Deste modo, surgiu a “Amazonas Motocicletas Especiais – AME”, empresa fundada em 15 de agosto de 1978, no bairro da Penha (SP). A produção dos modelos da marca iniciou-se, entretanto, apenas trinta e dois dias depois da criação da AME, que comecou a construir os modelos Turismo Luxo, Esporte Luxo e Militar Luxo. A moto era uma verdadeira salada de peças de carros da época, com peças de Corcel, Fusca, Caminhao Mercedes 608, Puma e Ford. Era uma moto superdimensionada e, por isso, era muito forte e durável, coisa não muito comum nos dias de hoje… Tanto que ainda é muito comum nestes dias, ver-se uma Amazonas com várias peças originais, em perfeito estado de conservação. Ela teve até um modelo a álcool, em 1978. Este modelo dispunha de carenagens integrais do motor, para mantê-lo em temperaturas mais elevadas. A Amazonas foi exportada para várias partes do mundo, inclusive para o Japão. Foram feitas diversas modificações durante sua existência, inclusive no chassis, suspenções, estética e motorizações, até sua total extinção, em outubro de 1988, sendo que cinco ou seis motos ainda foram montadas no ano seguinte, marcando assim, o fim do MOTOSSAURO. Para se ter uma ideia, a Amazonas custava o equivalente a seis Honda CG125, na época em que ela era fabricada (pesquisa feita pela revista moto show em 15 de abril de 1983). Nos dias de hoje, encontrar uma Amazonas original não é tarefa das mais fáceis, pois ao longo dos anos, seus proprietários fizeram várias modificações, tanto na estética como na mecanização. Existem hoje, Amazonas com injeção eletrônica de combustível. As pessoas que elaboraram a Amazonas, iriam ficar boquiabertas, ao ver estas motos ainda rodando (Fonte desta matéria e pesquisa, Revistas DUAS RODAS, MOTO TECNICA, MOTO SHOW).

Os mecanicos citados acima não se deram por vencidos, criaram outras duas motos em conjunto com outras pessoas, a BRASIL,e a KAHENA. Depois de “criar” a Motovolks, que deu origem à Amazonas 1600, o mecânico e seu sócio resolveram fazer um novo modelo, sempre utilizando motor VW, porém com transmissão por eixo cardã. O resultado foi a BRASIL 1.600, que (NOTICIA DA EPOCA) “deverá entrar em breve em produção”. Luiz Antonio acaba desligando-se do grupo FERREIRA RODRIQUES (AME AMAZONAS MOTOCICLETAS ESPECIAIS) e associando-se a Jacinto Del Vecchio, e, juntos, fundam a Técnica Paulista de Motos e Acessórios Fora de Estrada Ltda (TEPAMA). Com esta associação nasceu a BRASIL 1600. “A nossa idéia – conta Luis Antonio- foi fazer uma moto diferente do que já tinha sito apresentado até agora, uma moto mais moderna. Os modelos anteriores com mecânica VW são duros e têm problemas com excesso de peso, na Brasil diminuimos esse peso, fizemos um quadro elástico com uma balança trazeira e criamos um sistema de freios mais racional, além disso, reduzimos suas dimensões para que pessoas com menor porte fisico pudessem dirigi-la”.

Para financiar o projeto, tanto Luiz Antonio como Jacinto, tiveram de desfazer-se de vários bens pessoais, e, com isso, puderam fazer o protótipo, contratando o serviço de terceiros apenas para as fundições e fresas. Terminada a esta fase do projeto, começarão a fazer contatos com empresários e caso seja fechado um negocio, a Brasil entrará em produção, com os modelos prontos dentro de quatro meses. (Relatos colhidos por J.H.F. PORTO na epoca em que estas notícias eram divulgadas – “Impressões que tive ao ver a Brasil na época de seu lançamento” – José Horácio F. Porto). -“Ela era uma moto muito bonita, gradalhona e inovadora, porque tinha transmissão por cardan, suspensão ceriane e outros detalhes bem atipicos do modelo, era novidade mas não saiu do projeto, porque ela acabou tornando-se a Kahena”. A empresa Tepama, virou Tecpama, Técnica Paulista de Máquinas, e a BRASIL tornou-se KAHENA, motocicleta bonita, arrojada e inovadora, que foi uma tentativa de competir com as importadas da época,tendo como principal ponto favorável a velha e boa mecânica VW a ar. Hoje, tem ainda uma legião de admiradores, pessoas que a cultuam como um ícone da indústria Nacional, como sua irmã, a AMAZONAS!!! Tendo acompanhado a evolução destas motos do dia de seu lançamento até hoje, admira-nos o fato de ver que há pessoas de bom gosto ressuscitando KAHENAS e recolocando-as na mídia. São brasileiros que gostam do que é seu, um produto 100% nacional, com mecânica simples e robusta, sem os problemas das importadas, uma motocicleta de excelente custo-benefício.

O primeiro contato com a Kahena “ASSUSTA”. Seu porte grandalhão dá a impressão que somente um super atleta pode dominá-la. São 320kg. Felizmente, esta impressão logo se desfaz no momento de se posicionar sobre o banco. Apesar do estilo “touring sport”, que lembra o desenho da Kawasaky ninja ZX-11, o guidom tem formato largo e alto, tornando a posição de pilotar bem próxima de uma custom. Perguntas mais frequentes: 1) O motor é de fusca? resp: mais ou menos, porque parte do motor é alterada para receber um novo câmbio e um volante menor; 2) É dificil de de pilotar ? resp: não, ao contrário, com o centro de gravidade mais baixo em relação a uma moto comum, torna-se fácil de se equilibrar, mesmo em baixa velocidade; 3) tem marcha-a ré ? resp: sim, ajuda muito para estacionar: 4) Se cair ao chão, como fazer ? resp: se for parada, não há problema, pois ela não chega a deitar totalmente, ficando apoiada no protetor do motor, basta um empurão para que ela volte à posição em pé: 5) Corre muito ? resp: na versão de 90cv, beira os 190km/h de velocidade máxima. A Kahena saiu três modelos 1) SS 1600 2) ST 1600 3) KAHENA CUSTOM 1600.

Fonte: http://www.tmamotos.com.br/mito.html 
acesso em novembro de 2005
 
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