Doenças Tropicais

“Bioinseticida Contra Larvas da Dengue – Marília “

Pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) trabalham para o desenvolvimento de um bioinseticida que mata a larva do mosquito Aedes Aegipty, transmissor da dengue e febre amarela. O trabalho está se concentrando em um produto alternativo aos inseticidas químicos, obtido a partir de uma bactéria conhecida com Bti, que produz uma toxina que é letal às larvas do Aedes Aegipty. A coordenada da pesquisa, Marília Barbet Molina, atua na área de Tecnologia de Fermentação na Universidade de São Paulo, e acredita que após a liberação dos recursos a pesquisa será acelerada.

 

A necessidade de se formular um microrganismo entomopatogênico justifica-se pela utilização deste como um bioinseticida, da mesma maneira que se usa um inseticida organossintético. Embora os entomopatógenos possam ser aplicados puros, ou na forma em que são produzidos, muitas vezes tais condições não permitem a distribuição e a cobertura homogêneas. Isto pode ser conseguido pela formulação, acrescentando-se certos adjuvantes que melhoram o seu desempenho no campo, facilitam o manuseio e a aplicação e, principalmente, permitem o armazenamento sobre condições onde minimiza se o custo de armazenamento, com mínima perda das qualidades do produto. O estudo das formulações de entomopatógenos tem avançado pouco no mundo, pois as formulações são, em geral, guardadas com grande segredo pelas companhias que as desenvolvem, de modo que a quantidade de informação disponível na literatura científica é bastante reduzida. No Brasil, instituições públicas e privadas desenvolvem seus estudos, testando produtos importados ou desenvolvendo tecnologia nacional, avaliando a eficiência no controle de pragas e vetores de doenças. Uma boa formulação é a base para o sucesso de um inseticida microbiano.

A formulação de um agente de controle microbiológico tem, em geral, o mesmo objetivo proposto para os inseticidas químicos, e que em última análise significa liberar o ingrediente ativo em uma forma apropriada de uso, de fácil aplicação, com alta eficiência e baixo custo. Os componentes presentes nas formulações devem contribuir para o incremento da estabilidade, virulência e eficácia do agente de biocontrole. Estes componentes devem, também, aumentar a persistência do produto, a adesividade sobre a planta hospedeira e/ou inseto e a atratividade para a praga. O interesse comercial pelas bactérias entomopatogênicas surgiram em meados da década de 50, quando, atentas aos resultados de pesquisas, as indústrias ligadas à área farmacêutica introduziram em sua linha de produção o gênero Bacillus. Inicialmente as variedades conhecidas tinham sua a atividade restrita a insetos da ordem Lepidoptera. O grande impulso na utilização de bactérias para o controle de insetos ocorreu após a descoberta de variedades e isolados patogênicos a larvas de culicídeos, principalmente dos gêneros Culex, Anopheles e Aedes. Nestas descobertas incluem-se B. sphaericus (B.sph.) e B. thuringiensis var. israelensis (Bti). Isto porque tais agentes de controle mostravam-se altamente promissores no controle de vetores de doenças e abriam nova perspectiva de mercado a ser explorado. Atualmente, a maioria dos produtos é à base de Bti, sendo este utilizado no mundo todo em formulações líquidas e sólidas. O tipo de formulação a ser desenvolvido deve estar de acordo com os hábitos do inseto e também com as características dos locais onde se encontram os criadouros.

No Brasil, há em andamento alguns projetos de pesquisa com formulações de bactérias entomopatogênicas utilizadas no controle de vetores. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolve, em associação com uma empresa privada, uma formulação líquida (concentrado emulsionável), a qual se encontra em fase de patenteamento, o que impõe algumas restrições com relação à divulgação dos resultados obtidos. Ainda assim, os primeiros dados obtidos em testes realizados em Montes Claros/MG garantem boas perspectivas, e os estudos de estabilidade em condições ambiente, após 14 meses, mostraram apenas redução de 10% na CL50.

Fonte: http://www.biotecnologia.com.br/bio/5_k.htm

http://www.odiarionf.com.br/02032002/geral/dengue.html

acesso em maio de 2002